

Contorno Norte de Ponta Grossa divide entidades, produtores e concessionária
A definição do traçado do Contorno Norte e do Contorno Leste de Ponta Grossa continua sem consenso. O projeto é discutido por causa dos possíveis impactos urbanos, ambientais, rurais e econômicos.
A audiência pública realizada na quarta-feira (5) reuniu entidades, produtores rurais, poder público e a concessionária Motiva para discutir o futuro do Contorno Norte de Ponta Grossa. O objetivo foi aproximar as partes e buscar uma solução consensual para o traçado da obra.
Existe acordo sobre a necessidade de ampliar a infraestrutura viária e retirar parte do tráfego pesado da área urbana. A divergência está no caminho que os novos contornos devem seguir. Entidades locais defendem alternativas que preservem áreas de expansão urbana, industrial e turística. A Motiva afirma que as opções atualmente estudadas são tecnicamente mais adequadas e têm menos interferências estratégicas.
A Prefeitura de Ponta Grossa informou no processo que o projeto não estaria compatibilizado com o Plano Diretor e apontou a falta de um Estudo de Impacto de Vizinhança. Entre os possíveis efeitos citados estão fragmentação urbana, redução da mobilidade local, aumento da poluição sonora, insegurança viária e desvalorização da paisagem.
O Instituto Água e Terra informou que o traçado protocolado para licenciamento passa principalmente por áreas rurais, com vegetação nativa, regiões agrícolas e recursos hídricos. Também foram mencionadas interferências em unidades de conservação, nascentes, mananciais de abastecimento e outras áreas ambientalmente sensíveis.
Entidades empresariais pedem acessos às áreas industriais, novos trevos e preservação da expansão urbana. Também são contrárias à instalação de pedágios ou sistemas de cobrança no contorno. O Secovi estima que o projeto possa reduzir a oferta futura de aproximadamente 15 mil lotes residenciais. Produtores rurais, por sua vez, temem a fragmentação de propriedades e pedem passagens para máquinas e trabalhadores.
A Motiva afirma que ainda não há traçado definitivo no contrato de concessão. Segundo a empresa, os estudos de 2021 eram referências para a modelagem econômica e precisaram ser revistos devido a mudanças ocorridas até 2024. A concessionária cita possíveis conflitos com a captação do Rio Pitangui, estruturas da Sanepar, linhas de transmissão da Copel, malha ferroviária da Rumo, áreas da UEPG e do assentamento Emiliano Zapata.
O projeto funcional do Contorno Norte foi aceito pela ANTT com ressalvas. O projeto do Contorno Leste continua em análise técnica após a reapresentação de documentos pela concessionária. A audiência mostrou que as negociações ainda não chegaram a um acordo.
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