

Pacientes do interior percorrem até 400 km por tratamento em Curitiba
Moradores de diferentes regiões do Paraná enfrentam viagens frequentes ou longas estadias na capital para consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados. No HC-UFPR, cerca de 30% das consultas e internações são de pacientes de fora de Curitiba, segundo estimativa do hospital.
A rotina de deslocamentos foi exposta após o acidente na BR-373, em Ipiranga, que matou 23 pessoas e deixou cinco sobreviventes. O micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva levava pacientes e acompanhantes para atendimento na Grande Curitiba quando bateu de frente com um caminhão.
Para algumas famílias, o tratamento exige meses longe de casa. Paulo, de General Carneiro, ficou 360 dias internado no Hospital Pequeno Príncipe e continua sendo acompanhado em Curitiba. Durante o período, os pais alugaram um imóvel perto do hospital e se revezaram nos cuidados; o pai também deixou o trabalho.
Em Mallet, Sarah, de 19 anos, precisa viajar para Curitiba para tratar um câncer. Em parte do tratamento, ela e a mãe saíam por volta das 3h da manhã, passavam o dia na capital e retornavam entre 18h e 19h. A mãe precisou se afastar do trabalho por cerca de seis meses e atualmente está novamente afastada.
Valdilene Luiza Oliveira, de 54 anos, percorre aproximadamente 400 quilômetros entre Ivaiporã e Curitiba para tratamento oncológico. Ela viaja de três a cinco vezes por mês, muitas vezes no mesmo dia. O município fornece as passagens por meio de um consórcio de transporte; atualmente, o trajeto é feito em ônibus de linha.
No HC-UFPR, são cerca de 1,5 mil internações mensais, sendo aproximadamente 450 de pacientes de outros municípios. Entre as 30 mil consultas ambulatoriais realizadas por mês, cerca de 9 mil são de pessoas que moram fora da capital. Nas cirurgias, 26% dos pacientes vêm de outras cidades do Paraná.
O Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, informou ter mais de 16 mil pacientes de municípios paranaenses fora da Região Metropolitana de Curitiba, responsáveis por mais de 42 mil atendimentos. Para famílias que precisam permanecer na capital, o Hospital Pequeno Príncipe oferece a Casa de Apoio e o Programa Família Participante, com alimentação, espaços para descanso e higiene, além de apoio psicológico e assistência social. A Casa de Apoio atende pacientes do SUS que vivem fora da Região Metropolitana e precisam ficar em Curitiba para consultas, exames ou tratamentos.
Fonte: Banda B
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